Você está estressado?

Nesta entrevista, o psicólogo Julio César Silveira tira algumas dúvidas sobre o tão comentado mal que vem atingindo uma boa parte da população.

1 – Qual a definição de estresse?

O termo estresse é uma “aportuguesação” do inglês stress, que é natural da física, e foi empregado pelo endocrinologista austríaco Hans Selye (1907 – 1982) para nomear a ação de forças externas sobre um corpo. Nos seus experimentos na Universidade de Mcgill, em Montreal, Canadá, ele aplicou em ratos, suas cobaias, determinadas substâncias químicas que geraram úlcera, atrofia dos tecidos responsáveis pela fabricação das células imunológicas – encarregadas da defesa do organismo aos ataques dos agentes de nocivo – e pelo aumento da produção, pelas glândulas supra-renais, dos hormônios, cortisol e adrenalina, responsáveis pelo estresse. Estes sintomas curiosamente foram apresentados também pelo grupo de controle, que recebeu a injeção de uma solução salina, isto é, um placebo. Posteriormente, ele descobriu que esses mesmos sintomas eram manifestos quando os ratos eram expostos a um barulho, ao frio ou ao calor excessivos. Basicamente podemos dizer que o estresse é uma reação psicossomática a ação dos alarmes, dos despertadores do organismo e dos ambientes, físico e social. Essa resposta pode ser saudável se nos empurrar para o enfrentamento, se nos deixar mais atento e focado na resolução do problema. E pode ser doentia se nos levar a ver os problemas com lente de aumento, se bloquear o acesso à memória, interditar a construção de idéias e o fluir da criatividade para a resolução das pendências.

2 – A partir de que momento na sociedade o estresse deixou de ser apenas um ataque de nervos para se tornar um problema de saúde?

À medida que a oferta de recursos vai diminuindo, a competitividade das forças que os disputam vai aumentando. Vivemos numa sociedade de mercado em que o valor das pessoas é medido pelo lucro que elas proporcionam, pela sua produtividade, pelo que elas têm ou pelo que elas aparentam ter. Como o mercado varia assim como a capacidade de produção dos recursos humanos, e o lucro é a engrenagem do sistema, o medo de ser superado por uma força mais produtiva mais evoluída, e ser rebaixado ou cortado da seleção social e de ter o seu nível de consumo diminuído, tem levado muita gente, principalmente nos grandes centros urbanos, a responder disfuncionalmente ao estresse e ser adoecida por ele. E se o senso de valor do indivíduo, se a sua auto-estima, está atrelada a seus bens materiais, ao louvor público pela sua performance como uma pessoa bem sucedida, aí que o estresse se cronifica, porque nessa maratona social ele terá sempre que provar para si mesmo e para os outros, o que é, ou parecer que é o que ele ou os outros gostariam que ele fosse.

3 – Quais são os sintomas físicos e emocionais do estresse?

Sintomas físicos: dor de cabeça, tensão muscular, queda de cabelo, taquicardia e diabete, entre outros.

Sintomas emocionais: irritabilidade, emotividade excessiva, lapsos na memória, insônia e apatia, entre outros.

4 – Quem está mais suscetível ao estresse? (homens, mulheres, moradores de grandes cidades, jovens, idosos, adultos)

Acredito que todas que sofrem pressão ou se pressionam demasiadamente para mostrar resultados rápidos e visíveis, atingir altos índices de popularidades nos seus grupos, altos patamares de sucesso, para estar dentro do cronograma da normalidade social e se sentem mais ameaçados na concorrência. Aparentemente a vida nos grandes centros urbanos, pelos seus altos índices de produção, pela alta velocidade dos processos e pela impessoalidade crescente das relações, deixa as pessoas mais suscetíveis ao estresse.

5 – Quais são as fases do estresse?

Podemos escalonar o estresse em quatro fases:

1ª) Alerta: quando o alarme é disparado, ou seja, os sintomas começam a se manifestar, sinalizando que o corpo e a mente precisam de reparos.

2ª) Resistência: o indivíduo mobiliza energia para erradicação dos sintomas alarmados e restabelecer um relativo equilíbrio. A sua tensão na resolução dos problemas tende a reduzir a sua imunidade e contrair novas doenças, caso não seja bem sucedido na eliminação dos sintomas.

3ª) Quase-exaustão: nesta fase o processo de cronificação do estresse já está bem avançado. O sujeito se encontra com seu “combustível” na reserva, quase sem força para ir abastecer, isto quando sabe onde abastecer.

4ª) Exaustão: quando o indivíduo entra em “pane”, fica esgotado, sem energia para operar suas tarefas. Se não for tratado urgentemente pode provocar até um óbito.

6 – Quando é preciso buscar ajuda profissional para tratar o estresse?

Quando o individuo começa a perceber, de preferência antes que sintomas físicos visíveis apareçam, que sua qualidade de vida tem sido deteriorada, que sua funcionalidade em termos quantitativo e qualitativo tem sido diminuída, que tido déficits na sua contabilidade emocional.

7 – Qual o melhor meio de se prevenir?

A prática de esportes, o consumo e a produção de artes, como teatro, cinema, música e dança ajuda a estimular outras áreas criativas do cérebro, explorando sua riqueza de potencialidades, criando outros focos, evitando, assim, seu enrijecimento pelo foco excessivo em uma determinada questão. O nosso cérebro precisa de novidade. Essas atividades feitas com qualidade enriquecem o repertório emocional, higieniza a mente, desinibe a criatividade, e gera saúde no corpo. A prática habitual da meditação e da oração ajuda a reduzir a produção dos hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol. Acredito também que se engajar num projeto social ou visitar de vez em quando um hospital do câncer, a ala infantil, por exemplo, um asilo, um orfanato, uma clínica de dependentes químicos ou um cemitério ajuda muita gente a perceber a “desimportância” de tantas coisas que julga importante e a ansiedade por tê-las e o medo de não mantê-las a faz estressa doentiamente.

8 – Há remédios alopáticos contra o estresse?

Há! Mas quais são, essa resposta precisa ser dada por um médico, que fará a prescrição de acordo com a particularidade do caso. Um psicólogo não tem autorização para fazer.

  • http://www.nutricaoemfoco.com/2013/03/22/riscos-do-emagrecimento-acelerado/ Damile Goes

    Se estou estressada? Já não me reconheço, de tanto estresse! A faculdade está quase me matando, sem falar das tarefas de casa, mas mesmo assim, temos que seguir em frente, né?