Atividade Física e Diabetes Mellitus

O Diabetes Mellitus é uma doença grave que vem a cada dia ganhando mais importância devido a sua prevalência, estimando que chegue a 300 milhões de pessoas no mundo em 2030. Muito se fala a respeito dos benefícios da prática de atividade física para essas pessoas, mas pouco é comentado a respeito dos cuidados que são necessários para uma boa resposta ao exercício e também para diminuírem seus riscos.

Durante o exercício físico, os níveis de glicemia são mantidos dentro de um patamar adequado de modo a preservar o bom funcionamento do organismo, principalmente do sistema nervoso. Episódios de hipoglicemia durante exercícios físicos são raros em pessoas não diabéticas, sendo estes ajustes em grande parte realizados por hormônios.  Em pessoas com Diabetes tipo I, essa resposta hormonal está ausente, podendo ocorrer episódios de hipoglicemia acentuada. Já em pessoas com diabetes tipo II, episódios de hipoglicemia durante o exercício tende a ocorrer com menor frequência e intensidade, sendo que o exercício pode aumentar a sensibilidade periférica à insulina, auxiliando no retorno aos níveis normais de glicemia.

 No caso do DM tipo I, deve ser tomado alguns cuidados especiais. Para maior segurança, a pessoa deve ter conhecimento sobre as respostas metabólicas do organismo ao exercício, orientação sobre os sintomas, bem como habilidades de autocuidado. O monitoramento da glicemia deve ser realizado antes e após o exercício físico. Antes do exercício, se a glicemia estiver abaixo de 90 mg/dl, deve-se ingerir carboidratos e  se encontrar  acima de 250 mg/dl, não se deve realizar a atividade. Deve-se evitar o jejum prolongado, alimentando-se de 1 a 3 horas antes da atividade, e o consumo de carboidratos deve ser de acordo com as necessidades observadas pela pessoa, sempre os carregando consigo durante o exercício, caso necessite.

No DM tipo II, sabe-se que a atividade física contribui para o controle glicêmico, ajuda a reduzir o risco de problemas cardiovasculares, além de contribuir para o controle da hipertensão arterial sistêmica.  Estudos de grande porte, realizados em todo o mundo, comprovaram que hábitos de vida saudáveis, como manter um peso corporal adequado, uma dieta balanceada e rica em fibras, associados à atividade física regular e moderada (pelo menos 150 min/semana), são capazes de reduzir em 58% o Diabetes Mellitus tipo II em indivíduos pré-diabéticos.

Pessoas que possuem neuropatia periférica devem ter atenção especial com os calçados, de modo que este possua um sistema de amortecimento adequado para não criar bolhas ou ferimentos nos pés.  A hidratação é outro ponto a ser considerado, sendo aconselhado ingerir água duas horas antes do exercício e continuar se hidratando durante e após a atividade.

Uma recomendação importante é que se deve realizar um período de aquecimento antes da atividade, como uma caminhada ou pedalar por 5 a 10 minutos e também fazer alongamentos. Após a atividade, deve-se gradualmente reduzir a intensidade do esforço, de modo a trazer a frequência cardíaca à normalidade.

Uma avaliação médica pré-participação é fundamental para a pessoa com diabetes que queira iniciar seus exercícios, principalmente para aqueles que apresentam maiores risco de doenças coronarianas ou que já tenham o diagnóstico do diabetes há vários anos. Com isso, além de reduzir o risco de complicações, consegue-se obter maiores benefícios com os exercícios.