Anestesia

Quem nunca ouviu o comentário que após uma raquianestesia, tipo de anestesia utilizado em cesarianas e partos normais que deixa o paciente com os membros inferiores e parte do abdome anestesiados e imóveis, a mulher não pode sequer mexer o pescoço durante 24 horas, se não quiser enfrentar uma cefaleia? O ditado transmitido de mãe para filha caiu na boca do povo e, de tão frequente, ganhou o status de “verdade”. No entanto, trata-se de mais um mito e, neste caso, a voz do povo não é a voz de Deus.

 Segundo o médico anestesiologista Samy Zenun, o tal mito remete-se ao passado, quando se pensava que tal conduta diminuiria a incidência de dor de cabeça após raquianestesia. “As evidências atuais sustentadas por vários estudos mostram que a cefaléia está associada à espessura da agulha e não à posição do paciente no leito depois da anestesia”, explica Samy Zenun. “A incidência de cefaleia diminuiu muito com o uso de agulhas mais modernas, finas e com pontas de melhor design”, acrescenta. Além disso, os anestésicos de hoje são melhores e os médicos ainda têm o recurso do ultrassom, que permite assegurar que a anestesia foi aplicada no lugar correto. Observação: esta última ferramenta é muito utilizada em pessoas obesas.

 Hoje a anestesia raquidiana é um procedimento corriqueiro e tem sido adotado em cirurgias ambulatoriais, aquelas sem necessidade de internação hospitalar, em que o paciente vai para casa após um curto período de tempo. Mas o recomendado em casos de intervenções cirúrgicas que demandem anestesia é o paciente ir a uma consulta com um anestesiologista. “A anestesia é individualizada para cada caso. Vários pontos são analisados para escolher o tipo adequado. É preciso saber quais as doenças o paciente tem, se usa medicamentos, e averiguar o estado físico dele no momento da cirurgia”, finaliza Samy Zenun.